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Uber Guarda-chuvas, negócio da China? Que não deu certo!

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Uber Guarda-chuvas, negócio da China? Nem todo “negócio da China” pode ser considerado um bom negócio!

“A China é o futuro da economia compartilhada”, “As condições são ideais para o setor prosperar”, assim dizia uma matéria publicada no Jornal Chinês Bloomberg.

O compartilhamento de bicicletas no país já é uma indústria de bilhões de dólares, assim como startups que permitem usuários compartilharem baterias de celulares e já levantaram mais de UR$150 milhões em investimentos.

Bolas de basquetes emprestadas, também são comuns no país. Mas uma ideia que não deu muito certo, foi a de “guarda-chuvas compartilhados”, criada pelo empresário Zhao Shuping, que com muito orgulho disse ao South China Morning: ” Tudo agora pode ser compartilhado”, isso, claro, incluía os guarda-chuvas compartilhados.

Shuping então lançou a Sharing E Umbrella em 11 cidades chinesas. Através de um app, os usuários poderiam pagar apenas UR$0,75 por meia hora de uso, pelos guarda-chuvas compartilhados; podendo os mesmos encontra-los em estandes das estações de metrô ou de ônibus, e ao terminarem de usá-los, deveriam deixá-los em qualquer lugar.

Os usuários após fazerem o pedido pelo app, receberiam um código que desbloquearia os cadeados presos aos guarda-chuvas.

Houve muita comemoração por parte da população, inclusive um Jornal estatal publicou um editorial: ” Compartilhar guarda-chuvas é um sinal de progresso no serviço público e um exemplo de cuidados humano”.

Mas Shuping teve uma grande decepção e acabou admitindo: ” Nem tudo pode ser compartilhado”, anunciando que quado todos os 300 mil guarda-chuvas literalmente “sumiram do mapa”.

A maioria dos clientes simplesmente pegou os guarda-chuvas para eles; o que justifica essa atitude também é que  a taxa cobrada pela Sharing E Umbrella é muito mais baixa do que o preço de um guarda-chuva novo.

Mas a empresa ainda tem esperança de conseguir reaver a maioria dos seus guarda-chuvas.

Outro agravante é que na China costuma chover apenas no verão. A Sharing E Umbrella está analisando como irá sustentar a companhia durante as secas provenientes do inverno.

O que ocorreu de fato?

Segundo Shuping muitos usuários estariam  levando os guarda-chuvas para casa, talvez por acharem difícil deixa-los em qualquer lugar.

Não quer dizer que, porque o compartilhamento de bicicletas deu certo, tudo poderia ser compartilhado, mas Shuping não pensou assim, e investiu pesado em sua “ideia genial”.

A diferença descoberta somente depois de colocado a prova o compartilhamento de guarda-chuvas era: que bicicleta você encosta em qualquer lugar, já os guarda-chuvas não.

Mas o compartilhamento de bicicletas também está com os seus dias contados, segundo a principal Startup, Wokong Bicycles, “Muitas de suas bicicletas foram roubadas”, e o mesmo ocorreu com a 3VBike, de Pequim.

Este comportamento fez com que os investidores repensassem se realmente vale a pena investir no “compartilhamento”, em outros serviços, como ocorreu com os guarda-chuvas, as bikes e as bolas de basquete.

“Todas as ideias são ruins”, disse o diretor-geral Ventures, Allen Zhu, da GSR, sediada em Xangai, ao Jornal New York Times.

O empresário Andy Tian e cofundador do Asia Innovations Group, nada otimista deu sua declaração ao Times: ” A China está finalmente abraçando as suas raízes comunistas”,  continuou “Mas não há dúvida de que é uma bolha. Pode até ter raízes em algo valioso, mas você pode realmente compartilhar tudo?”

Há indícios de que mesmo com tanta onda de “descumprimento dos acordos de compartilhamento pelos usuários”, ainda existem empreendedores otimistas, que pensam no segmento aprimorado para o futuro.

Shuping inclusive, não perde as esperanças, dizendo que vai “espalhar alguns milhões de guarda-chuvas pela cidade até o final do ano de 2017.”

Fonte: Jornal New York Times.

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2 Comentários

  1. Simone

    20/11/2017 at 17:26

    Aqui no Brasil os guarda-chuvas seriam roubados, muito boa matéria

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    • Claudia

      20/11/2017 at 17:51

      Verdade Simone, principalmente pelos políticos não é? Boa. Obrigada.

      Resposta

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