Home Claudia Menezes Escreve Café Com Ideias: Como formamos a nossa personalidade e até que ponto nossos pais a influenciam? Podemos modificá-la? Estrutura e acabamento. Veja:

Café Com Ideias: Como formamos a nossa personalidade e até que ponto nossos pais a influenciam? Podemos modificá-la? Estrutura e acabamento. Veja:

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O Café Com Ideias de hoje, traz um tema muito interessante, que muitas vezes justifica nossos resultados, pois nossa base se constrói na infância, mas podemos modificá-la com o tempo. Veja:

Muitas vezes, estamos condicionados a repetir o que vivenciamos no passado. Muitas vezes fazemos isso de forma inconsciente. Assim como a educação de nossos pais pode nos trazer benefícios, também pode nos gerar comportamentos frustrantes, que se não forem trabalhados, poderão refletir ao longo da vida. Pessoas extremamente educadas, obviamente, tiveram uma base de educação na infância de pais educados, já pessoas extremamente ariscas, podem refletir a base que obtiveram de pais ariscos também na infância. Pessoas inseguras, tímidas, cheias de preconceitos, também refletem a educação que tiveram dos pais. Exemplo disso são pessoas que vivem em busca de aperfeiçoarem  a oratória, pois tem limitações ao falar em público. Muitas vezes, quando crianças podem ter sido limitadas a abrir a boca enquanto um adulto estivesse falando. Uma pessoa que tem algum complexo seja de magreza, obesidade, tamanho e etc; pode ter ouvido dos pais repetidamente algo como: “Vem aqui seu magrelo”, “ Seu gorducho, faça isso direito”, “ô tampinha vem aqui agora” e assim por diante. Esta criança provavelmente crescerá com algum complexo. Quantas vezes os pais querem que os filhos sejam unidos, mas utilizam esse jargão: “ seu irmão é mais esperto que você”. E a mãe que quer que o filho a obedeça, sabe que ele admira muito o pai e diz: “você é igualzinho a seu pai, nunca me escuta”, sabe quando este filho a escutará? Nunca.

Estudos da Neurociência mostram que o ser humano desenvolve cerca de 50% de sua capacidade de aprender nos primeiros 7 anos de vida, outros 30% antes dos 15 anos. Isso comprova que nos 50% formam-se os principais aprendizados do cérebro. Seu alicerce está ai. A partir dos 15 anos, onde se adquire os outros 30%, a base está formada, resta saber o que fazer a partir daí.

O autor do livro “Por que a gente é do jeito que a gente é?”, Eduardo Ferraz (Editora Gente), narra bem este tema: Estrutura e Acabamento. Segundo ele, o psicólogo Erich Fromm “já afirmava, há mais de 60 anos, que seria possível fazer previsões a respeito dos comportamentos de um indivíduo em situações futuras, pois, apesar de a personalidade adquirir alguma maleabilidade com o passar dos anos, a estrutura (base) continuava sendo a mesma durante toda a vida. Hoje, neurocientistas afirmam que a estrutura da personalidade é relativamente estável no adulto.”.

Ou seja, “estrutura” então, seria toda a formação adquirida até uma determinada fase da vida, a partir de então, quando entramos em cena como personagem principal, podemos chamar de “acabamento”. Para Ferraz: “É como imaginar um edifício de 10 andares. Não se muda muito a sua estrutura, pois está baseada em fundações que pouco conseguimos alterar. É possível, no entanto, mudar o acabamento desse prédio quantas vezes se desejar. Não é possível mudar as pilastras, mas pode-se modificar a fachada, os móveis, a pintura, a iluminação.”

Outro exemplo interessante de Ferraz: “Estudos com filhos de imigrantes mostram a seguinte tendência em qualquer lugar do mundo: quando as crianças aprendem um novo idioma antes dos 10 anos de idade, conseguem fala-lo sem o sotaque original. Quando aprendem o idioma entre os 10 e os 15 anos normalmente se expressam com algum sotaque. Quando aprendem um novo idioma após os 15 anos, a grande maioria das pessoas falará com um sotaque que permanecerá até a velhice.”.

É fato que o aprendizado e  a memorização dos adultos, requerem a formação de novas sinapses. O cérebro é maleável e sempre configura seus circuitos, de acordo com novos pensamentos e novas experiências vividas. Conhecida pelos cientistas como: “neuroplasticidade” , capacidade de adaptação inerente ao cérebro.

Então, aprender uma nova língua, entrar em um curso novo, um novo relacionamento, um novo emprego, mudar de cidade e etc. Significa mudar o acabamento. Uma pessoa tímida (estrutura) pode se esforçar para se tornar mais extrovertido (acabamento). Uma pessoa inflexível (estrutura), pode se esforçar para se tornar mais flexível (acabamento) e assim por diante. O importante é que podemos escolher o acabamento que daremos aos nossos comportamentos e pensamentos. Pense nisso!

Abraços,

Claudia Menezes.

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